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História de Colmeias


“Origem de Colmeias: uma das mais importantes freguesias de Leiria

Colmêas ou Colmeias é uma freguesia do Concelho e Distrito de Leiria (1), situada na Estremadura de Portugal, mas o que deu o nome a está freguesia?

Podemos dizer que a freguesia de Colmeias existe desde o Neolítico pois foram encontrados diversos vestígios, como fragmentos de cerâmica de pasta grosseira, fabricada manualmente, objectos de sílex e vários machados de pedra polida. 

Do mesmo período e ainda do Calcolítico são conhecidos vestígios em Parceiros, Milagres, Monte Real e Caranguejeira, localizando-se nesta última freguesia a estação arqueológica do Crasto, cronologicamente enquadrável no Bronze Final / Idade do Ferro.

Por toda a região de Leiria, e ainda mais em concretamente por Collippo, passava um ramal secundário da importante via romana entre Olissipo (Lisboa) e Bracara Augusta (Braga). 

A antiga Collippo, fundada por povos de origem turdetana, tornou-se numa cidade de certa importância. Situava-se perto de Andreus-Barreira e na sua área de influência foram descobertos núcleos de pavimentos de mosaicos romanos de que se destacam os de Póvoa de Cós, Arneiro, Martim Gil e Caranguejeira. 

Durante a época romana, o povoamento rural foi-se alargando em função de Collippo, aproveitando sobretudo as terras férteis do Lis, Lena e até do Sirol. São já bem conhecidas as “villae” do Arneiro, de Martim Gil, da Caranguejeira e dos Casais de S. Romão, bem como os achados de inscrições e outros materiais atribuídos àquele período histórico. 

A freguesia de Colmeias, remonta a sua fundação em 1189, e não há dúvidas que o seu nome, tem origem nos enxames de abelhas que, antigamente existiam em grandes quantidades, nesta região (2), o nome Colmeias vem de «Colmenas» encontradas um documento oficial de 1128, ou seja antes de ser fundada oficialmente a nacionalidade portuguesa, que só viria acontecer em 5 de Outubro de 1143, no tratado de Zamora. Todavia, este reconhecimento só seria confirmado a 23 de Maio de 1179 através da bula papal Manifestis Probatum do Papa Alexandre III.

Curiosamente a freguesia de Colmeias, nunca aparece como nome de um lugar, mas sim como freguesia e paróquia, constituída por vários lugares.

Contudo a freguesia de Colmeias já foi muito maior em área, pois dela fizeram parte os povos das actuais freguesias de Vermoil, S. Simão, Espite e parte das freguesias de Caranguejeira e Milagres.

A sua primeira sede foi na Vila de Alcovim, hoje já desaparecida, e foi mandada construir por El Rei D. Afonso Henriques, primeiro Rei de Portugal, como linha de defesa contra os Mouros, fazendo parte dessa linha Vila Nova de Ourém e o seu Castelo, (actualmente onde se realizam as cerimónias, de investidura dos Cavaleiros de São Miguel de Ala.) Castelos de Tomar, Pombal e Alcovim. Alcovim localiza-se hoje a meio dos caminhos de Lagares e Crasto, onde se encontra a Igreja Matriz da Invocação de S. Miguel.

Ainda hoje é desconhecido a verdadeira razão, que levou a sede da freguesia a passar temporariamente para a Igreja Vela, cuja capela, da invocação da Senhora da Piedade, sendo ao tempo pertença da lendária Ordem dos Templários (A Ordem dos Pobres Cavaleiros de Cristo  (3) e do Templo de Salomão, melhor conhecida como Ordem dos Templários é uma Ordem de Cavalaria criada em 1118, na cidade de Jerusalém, por nove Cavaleiros de origem Francesa, visando a defesa dos interesses e protecção dos peregrinos cristãos na Terra Santa.

Sob a divisa Non nobis, Domine, non nobis, sed nomini Tuo da gloriam (Não a nós, Senhor, não a nós, mas ao Vosso nome dai a glória), tornou-se, nos séculos seguintes, numa instituição de enorme poder político, militar e económico.

Inicialmente, as suas funções limitavam-se à protecção dos peregrinos que se deslocavam aos locais sagrados, nos territórios cristãos conquistados na Terra Santa, durante o movimento das Cruzadas. Nas décadas seguintes, a Ordem beneficiou de inúmeras doações de terra na Europa que lhe permitiram estabelecer uma rede de influências em todo o continente.

Os Templários entraram em Portugal ainda no tempo de D. Teresa, que lhes doou a povoação minhota de Fonte Arcada, em 1127. 

Um ano depois, a viúva do conde de D. Henrique e mãe de El Rei D. Afonso Henriques, primeiro Rei de Portugal entregou-lhes o Castelo de Soure sob compromisso de colaborarem na Conquista e cristianização dos Mouros.

E em 1145 receberam o Castelo de Longroiva e dois anos decorridos ajudaram D. Afonso Henriques na conquista de Santarém e ficaram responsáveis pelo território entre do Mondego e do Tejo.

A Ordem dos Templários Portugueses a partir de 1160 ficou sediada na cidade de Tomar, local onde continuou a situar-se a sua ordem sucessora, a Ordem de Cristo. Acredita-se que ainda existam cavaleiros da Ordem dos Templários mas, hoje em dia, é uma sociedade secreta…

O castelo de Leiria e os terrenos que iam até Colmeias, passaram por diversas vicissitudes até 1195, ano em que El Rei D. Sancho I o tomou em definitivo, concedendo um importante foral a Leiria.

Durante os tempos, diversos monarcas favoreceram Leiria (4) com as suas decisões, mas nenhum como El Rei D. Dinis, que elegeu a vila como sua predilecta de entre todas as do reino. Nesta região residiu repetidamente com D. Isabel, vindo a doar-lhe, em 1300, o senhorio da vila e do castelo. Além disso, escolheu Leiria para a criação de seu filho, futuro D. Afonso IV, aqui fez com ele as pazes depois de longa e grave discórdia, assinou importantíssimos diplomas e promoveu o levantamento da torre de menagem, existindo inúmeros relatos dos seus passeios por Colmeias. 

A partir do século XVI, o crescimento demográfico que se fez sentir em Colmeias, fez surgir novos lugares.

A sede volta entretanto após esse breve transferência, para a Vila de Alcovim, onde se conservou até 1750, altura em que foi construída a Igreja de Colmeias, na povoação de Eira Velha, sendo para aí novamente transferida a freguesia. 

A fundação do bispado e a elevação de Leiria a cidade, em 1806 veio conferir nova dinâmica e decisivo impulso no crescimento de todo o concelho, o qual seria fortemente abalado entre 1807 e 1811 com as devastações dos soldados franceses. Novo golpe seria vibrado em 1882 com a extinção da diocese que só seria restaurada em 1918 por Breve de Bento XV.

Mas em contrapartida, na mesma década daquela extinção, chega o caminho-de-ferro.

E é a partir desse ano de 1888 que o concelho vai iniciar o processo que o levará a dar o grande salto em frente, atingindo o final da primeira metade do século XX com uma indústria de certo modo florescente, para vinte anos depois, registar índices de crescimento acelerado. 

Actualmente zonas industriais como as de Alto Vieiro, Parceiros, Boavista, Pousos, Maceira, Marrazes e Colmeias, apresentam valores elevados de ocupação de mão-de-obra, dando expressão económica e dimensão demográfica de vulto ao município, cabendo à cidade o papel de motor da região centro.

 

Retirado do Jornal Online “Tinta Fresca”, edição número 83 – 17 Setembro de 2007

Autor : Henrique Tigo - Geógrafo

 

(1) Esta secção teve como ponto de partida um recorte do Jornal Região de Leiria datado de 19/08/1994, com o título “Monografia conta Histórias de Colmeias e Memória”

(2) o Jornal o Mensageiro, n.º 2834 (4 de Maio de 1972) pp1e 8.

(3) FUTTHARK, Run – A Misteriosa Ordem dos Templários, Edição Esquilo Multimédia, Inglaterra, 2000

(4) www.minhaterra.com consultado dia 3 de Setembro de 07

Publicado por: U.F. de Colmeias e Memória

Última atualização: 25-12-2025

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